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Múltiplas Interpretações e Espetadas nos Conservadores de Plantão E-mail

Por Rogério Duarte

Já faz mais de vinte anos que o LP Nós vamos invadir sua praia, do Ultraje a Rigor foi lançado – e a atualidade das letras continua impressionando e fazendo sucesso. Para falar a verdade, começo este texto com um clichê: fui a um show dos caras recentemente, no Centro Cultural São Paulo, e me impressionei com a quantidade de adolescentes que pulavam ao som de canções que provavelmente eram mais velhas do que eles. Apesar de batida, essa constatação nem sempre é seguida de análise: afinal, o que é que faz que algumas bandas e canções transcendam os momentos em que foram compostas e se perpetuem no tempo?

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Ney Matogrosso: A Maturidade e o Equilíbrio do Rock Brasileiro E-mail

Por Rogério Duarte

O último trabalho de Ney Matogrosso, Inclassificáveis, tem sido considerado um retorno desse intérprete ao gênero pop rock. Não ouvi antes pela internet, não esperei tocar nas rádios, não deixei para copiar o cd de algum amigo que o comprasse: adquiri-o de primeira, sem saber se ia gostar ou não, por muitos motivos.

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Notas de uma Viagem no Tempo e no Espaço E-mail

Por Rogério Duarte

Estive em Portugal no final de março e nas primeiras semanas de abril com o firme propósito de rever parentes que só me conheceram pequeno e conhecer amigos da juventude de meu pai. Tratava-se de uma viagem não só no espaço, mas também no tempo: pisaria a casa em que meu avô nasceu, cidades em que meu pai estudou, lugares que só conhecia de foto, de almoços familiares ou de textos literários. É engraçado ter saudades de um “sítio” em que nunca estive: conhecia os detalhes históricos, as fofocas da corte, a relevância da arquitetura manuelina – cheguei a comentá-la em minhas aulas –, mas nunca pude experimentar, até o mês passado, a sensação de lá estar, sentir os cheiros e sabores, a temperatura e a diferença de sotaque. Os leitores que assistiram ao Terra Estrangeira hão de se lembrar do personagem português que diz a um brasileiro que acabou de chegar a Portugal que aquele país é o lugar ideal para perder os outros ou perder-se de si mesmo. Discordo: lá fiz muitos amigos e encontrei uma parte de mim que me faltava e eu não sabia. 

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Uma Alternativa de Futuro E-mail

Por Rogério Duarte

Prometi, na coluna anterior, que ia comentar “Vai Passar”, de Chico Buarque e Francis Hime, e não me dei conta da dor de cabeça que arrumei. O problema é o seguinte: o Chico é uma unanimidade. As mulheres o acham sensual, consideram-no um especialista em alma feminina; os homens o admiram pela obra de protesto, por ser filho do Sérgio Buarque de Holanda, autor das célebres Raízes do Brasil, e por ser a encarnação do homem brasileiro que gosta de samba, futebol, feijoada, cachaça e mulher (não necessariamente nessa ordem, pelo amor de deus); a crítica o julga um dos maiores compositores do país; sua obra literária vai do teatro ao romance, sempre com sucesso. Enfim: o homem é uma autoridade quase incontestável.

 

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Mais do Mesmo E-mail

Por Rogério Duarte

O álbum Que país é este – 1978/1987, da Legião Urbana, é dos meus preferidos por muitos motivos. É interessante, por exemplo, investigar o encarte do disco, em que há algumas explicações a respeito das canções registradas. Descobrimos, ali, que algumas delas datam do período de atividade do Aborto Elétrico – espécie de nascedouro das bandas de Brasília – e que a canção que dá título ao trabalho havia ficado de fora dos dois primeiros LPs porque a banda acreditava que “aquele país” poderia mudar; anos depois, como quase nada acontecera, os integrantes julgaram pertinente gravar a canção, que não tinha envelhecido.

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As Influências, as bandas e a máquina do tempo E-mail

Por Rogério Duarte 

Já é um lugar-comum, quando se entrevista uma banda, perguntar-lhe “quais são suas influências?”. Existe por trás dessa pergunta a hipótese – muito adequada, na minha maneira de enxergar – de que todo e qualquer artista, para criar sua obra, não o fez do nada, não a extraiu da sua pura e mera “genialidade” ou inspiração. Acreditamos que há, para dizer o mínimo, uma espécie de tradição que passa de ancestrais para atuais compositores e que esse diálogo pode ocorrer para confirmar ou rejeitar os antepassados, seus temas e preocupações. Daí alguns juízos de valor, do tipo “eles não fizeram nada de novo, só retomaram o que outros já tinham feito”, ou “eles recuperaram as preocupações e os temas do passado e os renovaram”.

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