| Rogério Duarte |
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A convicção de que o rock nacional tinha interferências e contribuições relevantes para a literatura nacional guarda raízes na pré-adolescência, em que não entendia por que Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil eram considerados, por seus professores, mais “importantes” do que a Legião Urbana, os Inocentes, a Plebe Rude, o Lobão e o Camisa de Vênus. Ao mesmo tempo em que roubava clássicos da literatura portuguesa da biblioteca do avô, deliciava-se com os quadrinhos de Angeli, Laerte e Glauco; às escondidas, descobria na discoteca dos pais os “monstros sagrados da MPB” e os clássicos da Jovem Guarda, mas a eles preferia os palavrões do LP Viva do Camisa de Vênus e os protestos da Plebe Rude. Desde garoto, queria ser professor de literatura, encantado que ficou com todos professores e professoras de português que teve. Tinha o sonho secreto de analisar, em sala de aula, Cabeça Dinossauro, dos Titãs, com a mesma importância que se costuma dar a um romance de Machado de Assis. Teve aulas de canto e violão popular, mas a indisciplina contumaz fê-lo abandonar uma carreira de músico que sequer começara. Preferiu cursar a faculdade de Letras, onde, imaginava, encontraria amparo teórico para escrever seus próprios textos literários, jamais publicados. Também foi lá que descobriu que seu avô tivera importância fundamental em divulgar autores portugueses no Brasil. Estudou, ainda sem disciplina, os clássicos das literaturas de Língua Portuguesa. Frente a eles, queimou os poemas adolescentes e mergulhou na docência. Passou por escolas, grandes e pequenas, particulares e públicas, de Ensino Fundamental e Ensino Médio, mas fincou pé mesmo nos cursinhos pré-vestibulares, em que se tornou coordenador da área de Língua Portuguesa e autor de material didático. Depois da dolorosa impressão que lhe causou a morte do pai, abandonou o cotidiano agitado dos pré-vestibulares e decidiu-se por tentar casar as duas paixões, o rock e a literatura, resgatando as contradições das leituras adolescentes. Surgiu, então, a idéia do mestrado, apoiada incondicionalmente pela professora Marlise Vaz Bridi, da época da graduação. Numa enfiada de acasos que só Deus explica, acabou conhecendo Clemente Nascimento, dos Inocentes e da Plebe Rude, que o convidou para escrever, no site Showlivre, artigos a respeito das relações entre o rock e a literatura. Nas semanas em que concluía a redação do mestrado, reatou contato com Tiago Barizon – amigo do Michel, da época de colegial e do Cartoon Bar and Roll –, que se dedicava à produção musical. Enviou-lhe um email disfarçando a vontade de escrever no Barizon.Net, mas, felizmente, a mensagem foi entendida. Hoje, faz tudo que gosta: escreve a respeito de rock e literatura em dois endereços na internet, além de continuar lecionando gramática e literatura brasileira em preparatórios para a carreira de diplomacia do Itamaraty. Leia a coluna "Máquina do Tempo" clicando aqui. Entre em contato com o Rogério aqui. |





